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Tratamento correto de esgoto pode
reduzir os impactos ambientais

 

Os municípios são fortes candidatos a gerar créditos de carbono se fizerem o tratamento adequado dos esgotos deixando de lançar o metano no ar, conforme avaliação do diretor da Sanevix Engenharia, engenheiro José Mauro Pegoretti, baseando-se no Protocolo de Kyoto assinado na 3ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas realizada no Japão em 1997, que reuniu 166 países para discutirem providencias em relação ao aquecimento global.
Ele destaca que o primeiro passo para o cumprimento do tratado é o funcionamento correto das ETE’s – Estações de Tratamento de Esgoto. “Não é correto lançar metano livre na atmosfera, que é o que ocorre nas estações convencionais de tratamento de esgoto que ficam abertas – as chamadas lagoas. O metano livre na atmosfera é 21 vezes mais grave do que o gás carbônico e aumenta o efeito estufa”.
O correto é fazer o tratamento dos dejetos domésticos em biodigestor fechado, sem o uso de produtos químicos, proporcionando o uso do metano como energia, a exemplo da tecnologia que desenvolvemos dentro da UFES – Universidade Federal do Espírito Santo, o que abre possibilidades de os municípios, produtores rurais e indústrias a receberem os créditos de carbono gerados.
Hoje, apesar de as regras para o recebimento dos créditos de carbono ainda não estarem totalmente claras e já existindo empresas certificadoras trabalhando nisso no Brasil, os países que estão obrigados a reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa certamente irão adquirir os créditos disponibilizados, principalmente porque as práticas para o desenvolvimento limpo e sustentável já é uma preocupação de todos.
Os créditos de carbono consistem em permitir que países compram e vendam cotas de emissões de gás carbônico, através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) que é um mecanismo de flexibilização criado para auxiliar os países desenvolvidos a atingir metas de redução da emissão de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa.
Os países que não conseguirem reduzir suas emissões poderão comprar créditos dos países que contribuem para retirar esses gases da atmosfera em quantidade maior do que emitem, sendo que o Brasil tem lugar garantido nesse mercado.
As projeções indicam que o mercado de carbono deve movimentar 13 bilhões de dólares no mundo, dos quais 2 bilhões no Brasil.

O tratado

O Tratado de Kyoto entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005, passando a ser um tratado, com 141 assinaturas e o compromisso dos países signatários na redução da emissão de gases causadores do efeito estufa, dentre os quais o Brasil.
O efeito estufa é um fenômeno natural da atmosfera pela qual o calor das irradiações é parcialmente retido e, nos últimos anos, observou-se uma perigosa intensificação desse fenômeno, devido ao aumento da concentração dos gases na atmosfera causada pelas atividades humanas, o que poderia tornar a terra inabitável para a maioria das espécies.
Os gases abrangidos pelo tratado da ONU são: dióxido de carbono (CO2), metano (CH), ácido nitroso (N2O), hidrofluorcarbonos (HFCs), perfluorcarbonos (PFCs) e hexafluoreto de enxofre (SF6).
Cientistas apontam que a temperatura média global aumentou entre 0,3 e 0,6 graus Celsius desde o final do século XIX, e em cerca de 0,2 a 0,3 graus Celsius nos últimos 40 anos.
Até 2012, a meta é a redução de 5,2% da emissão de gases, em relação aos níveis de 1990. Até 2050, a redução de poluentes deve estar entre 20 e 30 por cento.

 


 
 

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