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DESCRIÇÃO DA ETA

A Estação de Tratamento de Água (ETA) é constituída pelas seguintes etapas de tratamento: COAGULAÇÃO + FLOCULAÇÃO + DECANTAÇÃO + FILTRAÇÃO + DESINFECÇÃO + FLUORETAÇÃO, tais processos são capazes de realizar o tratamento de água deixando-a com características iguais ou superiores à classe 3 da Resolução CONAMA no 357/2005. Seu dimensionamento foi realizado segundo critérios da NBR-12.216/91 da ABNT, objetivando a produção de água tratada de acordo com os padrões da Portaria no 518/2005 do Ministério da Saúde.

A ETA SANEVIX é uma estação do tipo convencional, hidráulica, auto-lavável sem equipamentos mecanizados que executa um conjunto de procedimentos físicos e químicos que são aplicados na água para que esta fique em condições adequadas para o consumo, ou seja, para que a água se torne potável. O processo de tratamento de água a livra de qualquer tipo de contaminação, evitando a transmissão de doenças.

PRINCIPAIS VANTAGENS:
  • - Compacta, fácil de ser transportada com rapidez e facilidade na instalação;
  • - Custo reduzido;
  • - Funcionamento hidráulico e não pressurizado;
  • - Simplicidade de ampliação através de novos módulos;
  • - Estabilidade e segurança operacional;
  • - Não requer operadores altamente qualificados;

O dimensionamento da ETA foi realizado com base em literaturas especificas para o tratamento de água.

FLUXOGRAMA DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

Figura 1 apresenta o fluxograma da estação de tratamento de água.

A estação de tratamento de água é composta pelas unidades descritas no Quadro 1:

ETAPAS DE TRATAMENTO

O processo de funcionamento da ETA COAG + FLOC + DEC + FILTRO + DESINF + FLÚOR compreende as seguintes etapas de tratamento:

Dispersor de Alcalinizante

A água bruta é introduzida na ETA através de uma canalização afluente onde, pode ser aplicado, quando necessário, um produto químico alcalinizante (normalmente a cal hidratada).

A cal é utilizada no processo de tratamento de água para corrigir a alcalinidade natural e adequar o pH da água. Essa correção é necessária para prevenir a corrosão das tubulações e equipamentos, além de atender a Portaria 518, do Ministério da Saúde.

CALHA PARSHALL

Este equipamento geralmente é utilizado para medir a vazão de entrada e saída em estações de tratamento. Esta medição acontece em conduto livre, onde o regime fluvial da vazão é submetido a um regime crítico, fazendo com que obtenhamos uma relação entre a altura do fluído na calha e a vazão, ou seja, para uma altura X haverá uma vazão Y, a profundidade está diretamente ligada à vazão.

A Calha Parshall se divide em três partes: seção convergente, seção estrangulada (garganta) e seção divergente.

A) Seção Convergente - Tem por função reduzir/adequar a velocidade do fluído em sua entrada, diminuindo a possibilidade de turbulências e aumentando a capacidade de precisão de mensuração do equipamento.
B) Seção de Estrangulamento (Garganta) - Segunda seção do equipamento, onde o líquido é submetido a uma concentração produzida pelo estreitamento das laterais e/ou pela elevação do fundo do canal.
C) Seção Divergente ou de Alargamento - Posicionada na parte final do equipamento, após seu estreitamento (garganta), tem por objetivo propiciar a normalização do fluxo do canal.

O dimensionamento da calha é feito através da largura da seção estrangulada, chamada de garganta (W), que varia de 1" à 12", e da vazão mínima e máxima que mesma será submetida, que fornece a largura nominal da calha. A figura 2 e o quadro 2 a seguir apresenta as dimensões normalizadas:

Figura 2: Principais dimensões da calha Parshall.
Quadro 2: Dimensionamento da Calha Parshall OBS: MEDIDAS EM CM, VAZÕES EM L/S. FONTE: NORMALIZAÇÃO E2.150 CETESB


As calhas parshall obedecem a equações do tipo:

Q=K Hn.

Onde: Q= vazão em m³/s

H = é carga na seção convergente em m.

A norma CETESB-E2 fornece equações de acordo com a largura nominal Ln, segundo mostra o quadro 3.

Quadro 3: Equações da Calha Parshall de acordo com a largura nominal Ln.

Quadro 3: Equações da Calha Parshall de acordo com a largura nominal Ln. Fonte: Norma CETESB E2.150

A calha Parshall também pode ser um grande aliado no processo de mistura do coagulante com o meio líquido. Se for adicionado ao equipamento condições de ressalto hidráulico através de placas no canal de saída da calha de modo a afogar o fluxo de saída ocorrerá o turbilhonamento, o que trará maior eficiência no processo de coagulação de forma mais homogenia e rápida. Tal procedimento pode transformar a calha parshall, de forma simples e de baixo custo em um eficiente sistema misturador de coagulante.

COAGULAÇÃO

Esta é a fase crucial no tratamento onde, as partículas existentes em suspensão na massa líquida, cuja remoção se pretende efetuar, são atacadas por agentes químicos, com o objetivo de desestabilizá-las eletricamente, para que, em fases posteriores do tratamento, sejam aglutinadas umas às outras formando flocos que serão removidos por sedimentação e filtração.

Normalmente o sulfato de alumínio é o produto químico mais utilizado como coagulante/floculante. Entretanto, outros produtos químicos também podem ser utilizados, tais como: sulfato ferroso, sulfato férrico, cloreto férrico e outros. O tipo de produto químico ideal, bem como sua dosagem, deve ser determinado através de realização de ensaios de jarros ("jar-test").

O produto químico selecionado deve ser injetado na dosagem determinada no ponto onde a água verte. A turbulência resultante da passagem da água na calha com adição do ressalto hidráulico assegura a adequada mistura da água com o produto químico.

FLOCULAÇÃO

É na etapa de floculação onde é promovida a aglutinação dos flocos resultantes da desestabilização das partículas coloidais, ocorrida na fase da mistura rápida.

Uma vez desestabilizadas, as partículas coloidais na fase de tratamento denominada coagulação, pode-se em seguida tratar de reuni-las umas às outras, formando os denominados flocos. Para tanto, deve-se manter a água em agitação durante certo tempo, de forma que as partículas desestabilizadas choquem entre si.

No início do processo, existem na água em tratamento, muitas partículas desestabilizadas a serem reunidas. Por este motivo, e para propiciar condições favoráveis ao choque entre elas, à agitação é inicialmente intensa. Com o passar do tempo, os flocos que se formam como resultado desse choque vão se tornando menos numerosos e mais volumosos.

Flocos maiores não resistem à agitação intensa, como as utilizadas no início da floculação, pois as forças de cisalhamento aí prevalecentes seriam capazes de rompê-los, logo a intensidade da agitação vai sendo reduzida com o tempo, e os flocos crescem cada vez mais ao longo do processo.

A floculação que ocorrerá nessa ETA ocorrerá através de floculadores hidráulicos do tipo chicanas, denominados floculadores Alabama, de escoamento vertical. Os floculadores verticais funcionam através do mecanismo de subida e descida do fluido, através de orifícios que se encontram na parte superior e na câmara seguinte na parte inferior e assim consecutivamente.

Nesse processo os flocos em formação são lançados para cima e para baixo, juntamente com a água em tratamento, assim os flocos que estão subindo se chocam os que estão descendo resultando na floculação, sendo conduzidos para passagem seguinte. Esse conduto é dimensionado de forma que a velocidade da água seja igual ou superior a 10 cm/s, assegurando assim o arraste dos flocos formados.

A grande vantagem desse tipo de floculador é a facilidade de operação, no que diz respeito à realização de limpezas e ajustes.

DECANTAÇÃO

Decantação é a etapa onde os flocos obtidos previamente são separados por sedimentação da água em tratamento.

A unidade de decantação da ETA possui escoamento em regime laminar, sendo esse regime assegurado pela instalação de placas paralelas, perpendicularmente à direção de escoamento do fluxo. As condições hidráulicas de escoamento asseguram a remoção dos flocos cujas velocidades de sedimentação são estabelecidas pela NBR-12.216/91.

Após sair do floculador, espera-se que praticamente toda a matéria em suspensão existente na água bruta esteja aglutinada entre si e com o dióxido de alumínio, constituindo o que se denomina de flocos.

Da mesma forma, espera-se que esses flocos tenham adquirido tamanho e peso suficientes para que possam ser separados da água em tratamento através da decantação. A água decantada é então, aquela que se purificou através de separação, por gravidade, das partículas sólidas trazidas consigo. Tais partículas sólidas separam-se por ação da gravidade, sedimentando-se no interior da água.

A água floculada é introduzida sob as placas e ao escoar entre elas, ocorre à sedimentação dos flocos. A água decantada sai pela parte de cima do decantador, após haver escoado entre as placas paralelas, e é coletada por calhas coletoras. As placas paralelas são dispostas de modo a formarem um ângulo de 50 graus com a horizontal. Essa inclinação assegura a auto-limpeza dos módulos, ou seja, à medida que os flocos vão se sedimentando em seu interior, e aglutinando-se uns aos outros, as maiores massas de flocos que vão se formando, adquirem peso suficiente para se soltarem dos módulos e se arrastarem em direção ao fundo. Dessa forma, os flocos removidos pelo decantador acabam por se precipitarem para o poço de lodo, onde permanecem acumulados até serem removidos através da abertura da descarga de fundo.

Os módulos de decantação laminar serão constituídos por placas onduladas de resina com fibra de vidro, instaladas no interior do decantador de forma que suas ondas se sobreponham.

A água decantada é recolhida por calhas de seção retangular, instalada sobre as telhas do decantador.

Os flocos sedimentados são acumulados no fundo do decantador, de onde são descartados diariamente através de um dreno dotado de registro.

A parte inferior do decantador pode funcionar como um sedimentador de fluxo vertical. A descarga de lodo é periódica, normalmente a cada dia de operação, por pressão hidráulica, e representa menos de 1% da capacidade diária de produção.

FILTRAÇÃO

É a etapa onde os filtros retêm as partículas que, porventura não foram retiradas da água na decantação e onde ocorre a limpeza biológica da água em tratamento.

Os filtros são de taxa declinante variável de fluxo descendente, autolavável, taxa média de filtração não superior a 360 m3/m2x dia, velocidade ascensional de lavagem não superior a 0,90 m/minuto, com leito filtrante duplo de areia (espessura mínima de 20 cm) e antracito (espessura mínima de 40 cm) suportado por camada de seixos rolados colocados sobre o fundo falso que cria um espaço sob todos os filtros, através do qual eles se intercomunicam.

A água decantada, já isenta da maioria dos flocos, é encaminhada aos filtros. Esses são do tipo rápido, de fluxo descendente, de dupla camada (areia e antracito), suportada por camada de seixos rolados, colocados sobre fundo falso que cria um espaço sob todos os filtros, através do qual eles se intercomunicam.

Por ser do tipo rápido, de gravidade os filtros da ETA-SANEVIX tratam grandes vazões e, por causa disto, precisam ser lavados freqüentemente, quase que diariamente. Esses trabalham abertos, sem necessidade de equipamentos pressurizados para operarem.

O sentido de fluxo descendente garante que os espaços percorridos pela água filtrada estejam permanentemente limpos, não havendo possibilidade de acesso a esses locais de outros tipos de água, tais como água decantada, água de lavagem, etc.

Além disso, o acesso a todos eles é feito através de aberturas afogadas, assegurando que sua operação ocorrerá com taxa declinante variável. Dessa forma, após alguns dias de funcionamento será possível estabelecer uma rotina operacional, na qual em intervalos regulares de tempo deve ser lavado o filtro.

A saída de água filtrada é constituída por uma canalização ascendente, cuja extremidade superior é posicionada de forma a garantir que os filtros sejam auto-laváveis. Isto quer dizer que o filtro que for retirado de operação para ser lavado utiliza a água filtrada pelas unidades remanescentes para esse fim.

DESINFECÇÃO

A desinfecção é a etapa onde ocorre a destruição ou inativação de organismos patogênicos capazes de produzir doenças, ou de outros organismos indesejáveis. Não é necessariamente a destruição completa das formas vivas, pois neste caso seria a esterilização.

O cloro é o principal agente químico utilizado na desinfecção de água para fins potáveis, ou seja, eliminar os microorganismos patogênicos presentes na mesma. O produto é adicionado na entrada do tanque chamado tanque de contato/ reservatório, se for verificada a necessidade de correção do pH após a cloração esta deverá ser realizada na saída do tanque de contato.

FLUORAÇÃO

A fluoretação ou fluoração é o processo pelo qual adicionamos compostos de flúor às águas de abastecimento público, através de equipamentos dosadores, a fim de proporcionar o teor adequado de íon fluoreto benéfico para prevenção de cárie dentária. Esse produto também será adicionado na entrada do reservatório.

ANÁLISE OPERACIONAL DA ETA

A análise operacional da ETA deve ser feita através de "Boletim diário" e "Controle mensal" de operação onde são registrados:

  • - Análises de: cor, turbidez, pH, cloro residual, alcalinizante;
  • - Concentrações de: alcalinizante e coagulante;
  • - Parâmetros de eficiência: volumes, taxas de aplicação, tempo de funcionamento, carreira de filtração, etc.
AVALIAÇÃO DA FLOCULAÇÃO

A eficiência da floculação é avaliada pelos boletins diários e mensais através da análise de cor e turbidez da água decantada.

AVALIAÇÃO DA DECANTAÇÃO

A eficiência da floculação é avaliada pelos boletins diários e mensais através da análise de cor e turbidez da água decantada.

AVALIAÇÃO DA FILTRAÇÃO

À medida que o filtro vai colmatando, a perda de carga aumenta e o nível da água se eleva até atingir a altura máxima permissível pela hidráulica do sistema. Neste instante, deve-se lavar o filtro.

AVALIAÇÃO DA DESINFECÇÃO

A eficiência da floculação é avaliada pelos boletins diários e mensais através da análise microbiológica de potabilidade da água.

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DESCRIÇÃO DA ETE

A Estação de Tratamento de Esgoto UASB (Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente e Manta de Lodo) + BF (Biofiltro Aerado Submerso) + DS (Decantador Secundário) constitui-se em um processo biológico, de última geração, removendo sólidos em suspensão, matéria orgânica, nutrientes e organismos patogênicos.

PRINCIPAIS VANTAGENS:
  • Mais compacto dentre os processos biológicos;
  • Simplicidade operacional;
  • Baixo custo de implantação e operação;
  • Baixo impacto em ambientes urbanos (ruído, odor, visual);
  • Gera 60% menos lodo que os processos convencionais;

A ETE UASB + BF+ DS é composto pelas seguintes unidades:

ETAPAS DO TRATAMENTO

O processo de funcionamento da ETE UASB + BF + DS compreende as seguintes etapas:

NÍVEL 1 - PRÉ-TRATAMENTO

O pré-tratamento tem o objetivo de reter sólidos mais grosseiros como folhas, galhos, areia, entre outros, protegendo os equipamentos e tubulações e evitando o acúmulo de material inerte nos reatores biológicos. Sendo assim, nesta fase o esgoto passa, primeiramente, por um gradeamento e, na seqüência, pela caixa de areia, do tipo canal.

O gradeamento é constituído por uma grade média, com limpeza manual, onde o material retido é removido periodicamente, devendo ser disposto em aterro sanitário, bem como o material retido na caixa de areia.

Para remoção de gordura é adotado um sistema utilizando-se bactérias. O sistema consiste na adição de bactérias que assimilam gorduras naturais presentes no esgoto eliminando o aumento da camada de gordura presentes no sobrenadante do reator UASB. Além disso, essas bactérias contribuem para o aumento da remoção de DBO e DQO da ETE.

O sistema já foi testado na ETE Parque Imperial, em Campos dos Goytacazes. Até o momento, a estação está sendo operada pela Sanevix, mas será passada para o grupo Águas do Paraíba. A ETE possui capacidade para tratar uma vazão média de 40,0 L/s e com apenas 1 mês de operação a remoção de gordura já havia atingido níveis superiores a 70%.

O produto é adicionado na elevatória da ETE diariamente. No primeiro mês, o consumo da bactéria estava em torno de 1kg/mês, como 2 meses de operação, 1 kg da bactéria era suficiente para 45 dias. Atualmente, estamos com um consumo de 0,5kg/dia. A tendência é esse consumo diminuir cada vez mais, caso as características do efluente não mudem. Esse tipo de bactéria apresenta tal comportamento apenas em ambientes anaeróbios, como os existentes no reator UASB.

Após este tratamento o esgoto é então encaminhado à Estação Elevatória (EE), de onde é recalcado para o reator UASB

NÍVEL 2 - TRATAMENTO SECUNDÁRIO a. Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente e Manta de Lodo (UASB)

O esgoto é encaminhado para o reator UASB, o qual promove uma remoção média de matéria orgânica (DBO5) da ordem de 70%. Em alguns casos pode ser inviável o lançamento direto do efluente anaeróbio no corpo receptor. Neste caso, é necessário que seja inclusa uma etapa de pós-tratamento para a remoção dos compostos orgânicos remanescentes no efluente anaeróbio.

O funcionamento do reator é descrito a seguir, com base em estudo realizado por Marelli & Libório (1998) e consiste em:

a) a água residuária entra na caixa receptora de esgoto bruto de afluente para em seguida entrar na caixa de distribuição do afluente, onde tubulações encaminham essa água residuária até o fundo do reator;
b) em contato com o leito de lodo (zona de digestão), onde estão os microrganismos, a água residuária passa a sofrer degradação dos seus componentes biodegradáveis que são convertidos em biogás;
c) flocos de lodo são levados pelas bolhas de gás em fluxo ascendente através do digestor, para as placas defletoras de decantação, as quais retornam à região de digestão dentro do reator. O fluxo em movimento descendente do lodo desgaseificado opera em contra corrente ao fluxo hidráulico dentro do digestor e serve para promover o processo de mistura para um contato entre as bactérias e a água residuária afluente;
d) a fração líquida do substrato continua em fluxo ascendente através do decantador e deixa o reator através de tulipas;
e) o gás é liberado quando a mistura líquido/lodo é forçada através das placas, indo até as câmaras de gás e são retiradas uma vez que o aumento de pressão é suficiente para sobrepor a pressão contrária, intencionalmente induzida para formar e manter o espaço para o gás.

O reator UASB é composto por um leito de lodo biológico (biomassa) denso e de elevada atividade metabólica, no qual ocorre a digestão anaeróbia da matéria orgânica do esgoto em fluxo ascendente. A biomassa pode apresentar-se em flocos ou em grânulos de 1 a 5 mm de tamanho.

B. Biofiltro Aerado Submerso (BF)

O biofiltro nitrificante é constituído por um tanque preenchido com material filtrante e aerado artificialmente. O leito filtrante tem a função de servir de meio suporte para as colônias de bactérias, através deste leito esgoto e ar fluem permanentemente, ambos com fluxo ascendente.

O biofiltro recebe o efluente anaeróbio (do reator UASB). Nesta etapa, grande parte da matéria orgânica remanescente é metabolizada aerobiamente, ou seja, com a presença de oxigênio. A principal função dos biofiltros nitrificantes é a remoção de compostos orgânicos, nitrogênio e amônia, contribuindo para uma eficiência global de remoção de DBO5 superior a 90%.

O meio filtrante é mantido sob total imersão pelo fluxo hidráulico, caracterizando os BF's como reatores trifásicos compostos por:

- Fase sólida - constituída pelo meio suporte e pelas colônias de microorganismos que nele se desenvolvem sob a forma de um filme biológico (biofilme).
- Fase líquida - composta pelo líquido em escoamento através do meio poroso.
- Fase gasosa - formada, principalmente, pela aeração artificial.

O lodo de excesso produzido nos filtros biológicos é removido rotineiramente através de lavagens contra-correntes ao sentido do fluxo, sendo enviado para a elevatória de esgoto bruto, que o encaminhará por recalque ao reator UASB para digestão e adensamento pela via anaeróbia.

A legislação ambiental brasileira tem dado especial atenção à remoção de nutrientes (nitrogênio e fósforo) pela possibilidade de ocasionar eutrofização dos corpos d'água.

Nas águas residuárias o nitrogênio pode se apresentar principalmente sob as seguintes formas: Reduzida (Nitrogênio Orgânico (Norg), Nitrogênio Amoniacal (N-NH4+)) ou oxidada (Nitrogênio Nitroso (N-NO2-) e Nitrogênio Nítrico (N-NO3-)).

Conhece-se como "Nitrogênio de Kjeldahl" (Nkj ou NTK) o conjunto formado pelas formas reduzidas. Já o "Nitrogênio Total" representa o total das formas, reduzidas e oxidadas.

Os processos de remoção de Nitrogênio podem ser classificados em aqueles que fazem a oxidação de NH4+ (em N-NO2- e N-NO3-) e os que fazem a remoção completa deste nutriente.

A nitrificação, oxidação biológica do nitrogênio amoniacal tem como produto final o nitrato, e como passo obrigatório intermediário, o nitrito.

A primeira etapa, de nitritação, é realizada principalmente pelas bactérias do gênero Nitrosomonas, e em menor participação, Nitrosococcus, Nitrosospera, Nitrosocystis e Nitrosoglea. A Nitratação pode ser realizada pelas bactérias Nitrobacter e Nitrocystis.

Transformação da amônia em nitritos (Nitrosomonas):

Oxidação de nitritos a nitratos (Nitrobacter):

A reação global da nitrificação é a soma das equações:

Estes microorganismos responsáveis pela nitrificação são bactérias autotróficas, que obtém o carbono necessário para seu crescimento da redução do gás carbônico e dos carbonatos presentes no esgoto, sendo a fonte de energia as reações de oxidação da amônia e do nitrito, segundo citado.

Uma intensa atividade de nitrificação é observada no compartimento aerado do filtro biológico, devido à ausência de carbono orgânico. O que favorece o desenvolvimento das bactérias nitrificantes sem competição pelo oxigênio dissolvido.

Pesquisas realizadas com equipamentos similares relatam taxas de nitrificação com eficiências variando entre 90 e 95% para cargas volumétricas atingindo 1,0kgN-NH4+/m3aerado/dia.

b1. Sistema de aeração

O BF dispõe de um sistema de aeração cujo ar é distribuído por todo sistema por meio de um soprador. É de fundamental importância que o aerador esteja ligado e o ar bem distribuído, para manter um ambiente propício ao crescimento do biofilme de bactérias aeróbias existentes nos meios filtrantes. Caso o ar tenha que ser interrompido, por um período superior a 2 dias, o procedimento adotado será a abertura do By pass do final do tratamento do UASB, para que se evite anaerobiose (falta de oxigênio) do BF.

Especificação dos sistemas de difusores de ar

O sistema de aeração dá-se por ar difuso através de difusores porosos - Difusor circular de membrana - o qual é constituído de borracha de Etileno-Propileno-Dieno (EPDM), sendo o tamanho das bolhas caracterizadas como microbolhas. O difusor é montado sobre uma base de PVC e é fixado pelas reentrâncias de fixação (Figura 01).

Figura 1: Difusores de ar sobre a base de PVC.

A vantagem da aplicação deste tipo de difusor no Biofiltro Aerado Submerso é devido ao fato de ele aumentar a eficiência de transferência de oxigênio para o efluente, assim, o sistema de injeção de ar no BF irá exigir menos energia.

b2. Material Filtrante

O material filtrante é composto por placas de polietileno, de 0,24 m² com ressaltos em sua superfície de 8 mm de diâmetro, área superficial de 491 m2/m3 e densidade aparente de 33 kg/m3.

O polietileno é um material resistente com uma vida útil projetada de no mínimo 50 anos. A utilização desse material foi uma idéia desenvolvida visando à sustentabilidade do uso de materiais que apresentam o maior tempo de vida útil, com menor impacto ambiental possível, bem como a reutilização de resíduos urbanos e industriais.

Figura 03: Forma para confecção das placas de polietileno.
NÍVEL 3 - POLIMENTO Decantador Secundário (DS)

O Decantador Secundário é a unidade que produz o polimento final no efluente tratado, propiciando a remoção de DQO, DBO5,20, sólidos em suspensão (SS) e nutrientes, especialmente fosfatos e nitratos, a teores muito baixos, superiores a 90%.

O Decantador Secundário é a unidade em que o efluente tratado é introduzido sob as lâminas paralelas inclinadas que ao escoar entre elas ocorrerá à sedimentação do lodo. O esgoto decantado sai pela parte de cima do decantador, após ser escoado pelas lâminas e é coletado por calhas coletoras.

Essa inclinação assegura a auto limpeza dos módulos, ou seja, à medida que os lodos vão se sedimentando em seu interior, e aglutinando-se uns aos outros, as maiores massas de lodo que vão se formando, adquirem peso suficiente para se soltarem dos módulos e se arrastarem em direção ao fundo. Pela abertura da descarga de fundo o lodo é encaminhado para a elevatória de esgoto bruto e recalcado para o UASB para digestão e adensamento.

SUB-PRODUTOS

LODO

A única fonte de emissão de lodo é o reator UASB. Como neste reator o tratamento do esgoto se dá através da manta de lodo, que se desenvolve continuamente, de tempos em tempos parte da manta (excesso) deve ser descartada.

Geralmente, o lodo de excesso produzido no UASB é retirado a uma freqüência média de 01 descarte mensal e, o lodo descartado deverá ser disposto em dispositivos para desidratação. A concentração de sólidos totais neste lodo situa-se na faixa de 4 a 6%, devendo atingir valores da ordem de 30% após a desidratação.

O lodo desidratado poderá ainda ser submetido à estabilização e higienização com cal ou pasteurização, adquirindo características de um lodo classe "A". Segundo os critérios da EPA (40 CFR Part 503 - 1993), não existe restrição quanto ao uso do lodo classe A.

BIOGÁS

Um dos subprodutos da decomposição anaeróbia, que ocorre no reator UASB, é a produção do biogás, composto principalmente por gás metano e dióxido de carbono.

Considerando que o metano é muito mais prejudicial ao fenômeno conhecido como efeito estufa (aquecimento global) do que o gás carbônico, uma das alternativas para minimizar este problema é promover a queima deste gás. Este processo de queima transforma o metano em gás carbônico e vapor d'água.

Sendo assim, o gás liberado no reator UASB deve ser queimado, controladamente, nos "Queimadores de Biogás". Este consiste num sistema de queima de forma constante e de ignição automática acompanhado de dispositivo de segurança tipo corta-chama.

Lembrando ainda que exista a possibilidade de reuso do biogás como fonte de energia, de acordo com sua produção.

ESGOTO BRUTO E EFLUENTE FINAL

O desempenho operacional, bem como a massa orgânica diariamente removida na ETE UASB + BF + DS estão apresentados nas tabelas a seguir:

Tabela 1 - Características do afluente e efluente final. Notas: (1) VMP (Valores Máximos Permitidos) pela Resolução CONAMA Nº 357, de 17 de março de 2005, padrão de lançamento de efluentes do Ministério do Meio Ambiente.

DESEMPENHO OPERACIONAL

O desempenho operacional, bem como a massa orgânica diariamente removida na ETE UASB + BF+ DS estão apresentados nas tabelas a seguir:

Tabela 2 - Eficiências de SS, DBO5 e DQO do UASB e do BF.
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